Sl 66. 1, 2: Louvai a Deus com brados de júbilo, todas as terras. Cantai a glória do seu nome; dai glória ao seu louvor.


NO ANTIGO TESTAMENTO

No decorrer da história judaico-cristã, a música tem sido associada, à adoração, e a Bíblia contém uma grande parte da nossa herança de cânticos e adoração.

No início da história judaica, as expressões musicais parecem ter sido espontâneas e com uma natureza de êxtase. Mas tarde, a composição musical tornou-se formal como parte da responsabilidade profissional dos líderes da adoração, que eram os levitas.

Os Salmos do Antigo Testamento provém de muitos períodos da antiga cultura judaica e foram formados com cânticos que datam da libertação de Israel da escravidão no Egito. A primeira referência bíblica à experiência musical é uma narrativa de ações de graças dirigidas por Moisés e sua irmã Mírian, depois que os israelitas foram libertados dos egípcios (Êx 15. 1, 20, 21).

Havia duas tradições musicais de adoração no Antigo Testamento: uma era espontânea, a outra formal e profissional. A primeira é mencionada como parte da preparação de Saul para se tornar rei de Israel. O profeta Samuel dá instruções a respeito (1 Sm 10. 5, 6). A música transportava o adorador a uma experiência sobrenatural com Deus (2 Rs 3. 15, 16). Ela também é apresentada como instrumento na libertação espiritual (1 Sm 16. 16).

A segunda tradição musical no Antigo Testamento era a música para o Templo. Ela era formal e profissional, e foi iniciada pelo “rei - pastor” de Israel, Davi, que era pessoalmente musicista e compositor de hinos. Davi organizou a música na casa do Senhor (1 Cr 15. 16). O número de componentes chegou a quatro mil (1 Cr 23. 5). Os sacerdotes-músicos dedicavam-se integralmente ao serviço musical e eram escolhidos em razão de seus talentos (1 Cr 15. 22). Eram bem treinados e passavam por cinco anos de aprendizados até serem admitidos no corpo regular.

O corpo judaico era organizado sob a direção de pelo menos três compositores - maestros: Asafe, Hemã e Jedutum (2 Cr 5. 12). A música era vocal e instrumental (1 Cr 15. 16), com a atuação tanto de homens como de mulheres (Ed 2. 65; 2 Cr 35. 25). A genealogia dos músicos era exigida para evitar a intromissão de estranhos (1 Cr 6. 31 – 38). Os cantores eram unidos (1 Cr 15. 19), os maestros eram unidos (1 Cr 25. 1), os músicos eram espirituais (1 Cr 25. 2, 3) e, enquanto cantavam, a glória do Senhor enchia a casa (2 Cr 5. 12 – 14).

Na antiga adoração hebraica, as palavras das Escrituras nunca eram citadas sem melodias era considerado sacrilégio, embora não tão grave em relação a outros erros. As palavras bíblicas eram cantadas (Sl 47. 1).

A música hebraica era acompanhada por instrumentos, os quais eram de três tipos básicos: cordas, sopro e percussão.

De cordas: havia o kinnor (lira, relacionada com a khitara dos gregos) e Nebhel (harpa, com até dez cordas, algumas vezes chamada de saltério). De sopro: havia o shopar (um chifre de carneiro), o halil (um caniço duplo, como o oboé), o hazozerah (uma trombeta de metal) e o ugabh (flauta vertical, usada principalmente na música secular). De percursão: havia o toph (tambor de mão), o zeuzelim (címbalos) e o mena na im (sinistro, espécie de marimba).

Não se sabe quando a música entrou na adoração da sinagoga, mas subtende-se que certos cantores levíticos devem ter continuado a praticar sua arte nas reuniões orientadas para e, pelos leigos. Apenas um ou dois solistas cantavam em uma reunião. Eles cantavam as leituras das Escrituras, os salmos, as orações pós-bíblicas (bênção). Presume-se também que em virtude do caráter congregacional dessas reuniões todos os adoradores cantavam os salmos que conheciam e, frequentemente, em refrão repetido, um “aleluia”e um “amém”.

NO NOVO TESTAMENTO

A dispensação da graça iniciou-se com música. Os quatro cânticos registrados por Lucas têm o estilo dos salmos e são tradicionalmente da forma seguinte:

a) Magnificat: “Então disse Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador...” (Lc1. 46, 47).

b) Bendictus: “Zacarias… cheio do Espírito Santo, profetizou, dizendo: Bendito seja o Senhor Deus de Israel…” (Lc 1. 67, 68).

c) Gloria in excelsis Deo: “E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas, e paz na terra, boa vontade para com os homens”! (Lc 2. 13, 14).

d) Nunc dimitis: “… ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo, segundo a tua palavra, pois já os meus olhos viram a tua salvação…” (Lc 2. 28 – 30).

Vemos também a música na instituição da Santa Ceia do Senhor (Mt 26. 30). O historiador Scroggie diz que era costume cantar uma parte dos Salmos 113 e 118 do Hallel Egípcio, por ocasião da comemoração da Páscoa.

Na Igreja Primitiva, primeiramente por meio das epístolas, encontramos referências a cânticos espirituais (At 2. 47; 1 Co 14. 26; Ef 5. 19; Cl 3. 16; Tg 5. 13; Fp 2. 6 – 11;Ef 5. 14; 1 Tm 1. 17; 1 Tm 3. 16; 6. 16; 2Tm 4. 18; Hb 13. 15; Ap 4. 11; 5. 9, 10; 14. 2, 3; 15. 3).

O Novo Testamento também nos mostra a música no arrebatamento da Igreja e no céu (1 Co 15. 52; 1 Ts 4. 16; Ap 5. 8, 9; 14. 2, 3).



Bíblia Obreiro Aprovado
© 2010 por Casa Publicadora das Assembleias de Deus, pág. 689.
Por: Wagner Tadeu dos Santos Gaby
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