Continuando nossa Série...

Há alguns anos, certo pregador tomou a expressão bíblica do Salmo 23:4, “vale da sombra da morte”, e relacionou-a à experiência da vida cristã com um processo em três níveis. O primeiro é referente aos “dias de cima do monte”, quando tudo parece brilhar como o sol sobre rodas as coisas. Em segundo lugar, refere-se “aos dias comuns” nos quais fazendo as coisas usuais, não nos sentimos tão alegres nem deprimidos. Em terceiro, lugar, são “os dias sombrios”, quando tudo parece confuso, deprimente e triste. Esses dias sombrios, quando persistem, podem ser identificados como dias de depressão. A depressão é algo que a maioria das pessoas experimenta em diferentes períodos da vida.

Fui procurado por um colega que estava vivendo profunda depressão. Esse pastor iniciou seu ministério com alegria e sucesso. Era ainda jovem, por isso, buscou encontrar uma esposa que compartilhasse da sua visão e sonho. Casou-se e foi feliz por alguns anos, construiu uma família com três filhos. Sentia-se um homem realizado. Não lhe faltavam projetos audaciosos para o reino de Deus. Tinha grande satisfação no que fazia. Sua esposa participava de alguns trabalhos na igreja e tudo parecia normal em sua vida pessoal e ministerial, até o dia em que descobriu que sua esposa o traía. Procurou, inicialmente, atenuar o problema perdoando a esposa e desenvolvendo a restauração de seu casamento. Porém, ela havia se envolvido de tal modo com outro homem, que não foi possível suportar mais aquela situação. Por outro lado, a igreja que pastoreava passou a cobrar-lhe uma atitude contra a esposa. A situação ficou insustentável e a tristeza dominou seu coração. O casal separou-se. Uma vez só, com os três filhos menores, sentiu-se fraco para reagir e mergulhou em profunda depressão. Pediu licença à igreja do pastorado, mas viu-se perdido, sem gosto de viver ou continuar. De repente, todos os sonhos sucumbiram r a autoestima daquele pastor chegou ao fundo do poço. Fora do pastorado e sentindo-se abandonado, não faltaram especulações maldosas e boatos mentirosos. No fundo do poço, Deus teve misericórdia desse homem e ele entendeu que precisava de ajuda de alguém como amigo e conselheiro, com quem pudesse abrir o coração. Ao longo de alguns meses, as feridas foram curadas por um processo de aconselhamento bíblico. Aquele pastor saiu daquele poço de depressão, restaurou suas energias e reestruturou sua vida para voltar ao ministério e ajudar outras pessoas.
Certa feita, deparei-me com um homem que se assentou na poltrona de meu gabinete pastoral no templo. Com os olhos vermelhos, inchados e lacrimejantes, aquele homem chorava profundamente. Durante toda sua vida, ele pareceu-me o modelo de fortaleza, de alegria e comunicação. Agora, ali diante de mim, aquele homem estava mergulhado num profundo e inexplicável poço de depressão. Ele perdera aquela característica de pessoa livre e estava acorrentado aos tentáculos da depressão. Não conseguia falar uma palavra sequer! Queria falar, mas sua mente parecia estar bloqueada! Sua família, seus amigos mais próximos, os irmão na igreja, ninguém conseguia romper o “seu mundo interior depressivo”.
Oração, campanhas de orações, nada o removia daquele estado. Sua depressão parecia tê-lo lançado num labirinto escuro e lúgrube. Como conselheiro procurei romper os bloqueios emocionais daquele homem para poder ajudá-lo. O processo foi longo, mas o Espírito Santo ajudou a libertar aquele homem de seus traumas que o deprimiam.

Estas duas histórias indicam que podem ser várias as causas que provocam a depressão em pastores. Imaginemos o caso do profeta Elias. Depois de uma grande vitória no Monte Carmelo sobre profetas de Baal, a ameaça de uma mulher diabólica o fez sentir-se abandonado […].

Elienai Cabral

Lea aqui a introdução da Série Parte 3: Emocionalmente Frágeis
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