Seria admissível um pastor ficar deprimido? A depressão é fruto de pecados cometidos? Claro que não! Muitos homens e mulheres experimentaram o gosto da depressão e tiveram momentos de apatia, de inércia, de tristeza profunda. O próprio Jesus, em sua vida terrestre, como homem, experimentou a depressão e teve vontade de desistir. No jardim do Getsêmane, em Jerusalém, um pouco antes de se entregar nas mãos de seus algozes, Jesus, orou ao Pai, sentindo todo o peso da angústia da morte, e disse: “Pai, se quiseres, passa de mim este cálice”, (Lc 22:42). Houve um momento em que Ele declarou seu estado de angústia e depressão, quando disse ao Pai: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte”, (Mt 26:38). Na verdade, o Senhor Jesus, ante ao espectro dos sofrimentos e da morte que teria de enfrentar, ficou profundamente triste. Porém, Ele passou por tudo isto como homem para identificar-se plenamente com as nossas fragilidades, por isso experimentou, até mesmo, a depressão. Se Ele a experimentou e a venceu, porque não nós, homens limitados,não experimentaríamos esse flagelo emocional?

A história bíblica de Elias nos faz ver, de um lado, o profeta intrépido, forte, corajoso e disposto a enfrentar 450 profetas de Baal. Era assim o seu perfil: um homem vitorioso e decidido, que fez um povo inteiro, olhando para ele, criar a consciência de que só o Senhor é Deus. Por outro lado, vemos um homem decepcionado, solitário e deprimido. Ele teve vontade de desistir de tudo. Diz a Bíblia que ele deixou o seu moço em Berseba; deixou os amigos e familiares e preferiu tomar o caminho do deserto. Fatigado e desanimado, só pensando negativamente, encontrou uma pequena árvore, um zimbro desértico, assentou-se sob sua sombra e pediu para morrer. Elias deixou-se dominar pelo pessimismo. Achou-se só e abandonado. Seu ego criou fantasmas dos quais não conseguia escapar! Esqueceu-se, naqueles dias negativos, de tudo quanto Deus havia feito por seu intermédio. Aprendemos uma lição preciosa nesta história: as grandes batalhas da vida, mesmo as vencidas, podem exaurir nossas forças emocionais e espirituais. Certamente, esse é um modo especial de nos conscientizar de que, nas grandes vitórias espirituais, o mérito é sempre do Senhor.
Inevitavelmente, existem muitos pastores deprimidos que temem buscar ajuda porque não querem que suas igrejas tenham a imagem de pastores fracos, sujeitos a erros, carentes emocionalmente. Então, escondem suas fragilidades, abafam seus gemidos interiores, por traz de máscaras de que tudo está bem e certinho; de que seus problemas estomacais, suas sinusites e enxaquecas são meras dificuldades orgânicas e não emocionais.

Na verdade, nós, ministros do Evangelho, escondemos, às vezes, que temos vida normal, mas quantas vezes subimos aos púlpitos de nossas igrejas cheios de tensões e medos. Esse é um assunto que evitamos, porque ele nos confronta com a nossa realidade pastoral. Davi, certa feita confessou sua depressão (Sl 143:3,4).


É fato inegável que um servo de Deus pode entrar em depressão. Não podemos cair no erro de espiritualizar esse problema. Não se trata de ser bom ou ruim. A depressão revela apenas a vulnerabilidade de nossas emoções. É possível sair do poço de depressão buscando no Senhor e na sua Palavra as respostas que o mundo não tem para dar.


Leia aqui a introdução da Série Parte 2/7: O Vale de Sombra dos PastoresParte 3/7: Emocionalmente Frágeis Parte 4/7: Pastores Também Ficam Deprimidos 


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