Ênfase | Conceito de vocação sob a ótica da Teologia
Refere-se ao chamado ou “escolha divina” que Deus faz aos homens, com a finalidade definida do exercício ministerial, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

A. Alguns Exemplos de Vocação Ministerial:
1. Moisés – Para libertar Israel do Egito, Ex 3.10;
2. Josué – Para guiar o povo até a terra prometida, Js 1.1-9;
3. Abraão – Para ser pai de Israel, Ne 9.7,8;
4. Sansão – Para libertar Irael dos filisteus, Jz 13.5;
5. Davi – Para reinar sobre Israel, 1 Sm 16 12 e 13;
6. Isaias – Para restaurar Israel, Is 49.1 e 2;
7. Jeremias – Para profetizar às nações, Jr 1.5;
8. João Batista – Precursor de Cristo, Lc 1.13-17;
9. Paulo – Apóstolo aos Gentios, Gl 1.15,16;
10. Apóstolo- Mc 3.13-15.

B. Características dos Ministérios no At:
1. Ordem Sacerdotal, Nm 3.5-13; os levitas, descendentes de Levi (da Tribo de Levi) foram escolhidos para o exercício de todo o trabalho no Tabernáculo. Ficariam incumbidos dos serviços gerais na tenda e serviam aos sacerdotes.
2. Todos os sacerdotes eram levitas. Os levitas não eram todos sacerdotes, mas formavam uma ordem sacerdotal, cujo ministério era um legado de pais para filhos.

C. Vocação e Ministério no NT – Mc 3.13-19

1. Vocação :
a. Geral – muitos são chamados para Ele, Deus.
b. Especial – poucos escolhidos!
“Jesus subiu um monte, chamou os que ele quis, e eles foram para perto dele. Então escolheu doze homens para ficarem com ele e serem enviados para anunciar o evangelho. A esses doze ele chamou de apóstolos. Eles receberam autoridade para expulsar demônios”, Mc 3.13-15.

2. Iniciativa e natureza da vocação:
Ele (Jesus) chamou os que Ele quis: vieram a Ele. É Ele quem chama, tanto para salvar quanto para trabalhar, Mt 11.28-30.

3. Com este chamado dos discípulos e nomeação dos 12 apóstolos, o Senhor Jesus mudou o conceito de ministério no NT. Esta escolha nada tinha a ver com a Tribo de Levi ou outra tribo qualquer. Não havia predileções raciais, culturais nem hierárquicas. Foram escolhidas pessoas simples, do povo, que não passariam esta posição a outras.

4. Os novos ministros receberiam um chamado individual, especial, específico, sem qualquer privilégio humano, senão o privilégio da fé. Todas as promessas de bênçãos são feitas por Jesus e sempre condicionadas à crença. Os que recebiam as promessas tinham que crer para recebê-las.

5. A fé é dom de Jesus. A vida eterna (a salvação) é oferecida por Jesus e recebida somente pela fé. Os dons do Espírito Santo e os ministérios (dons ministeriais) são dados pelo Espírito Santo, aos salvos; estão ligados ao serviço Cristão. Estes dons (espirituais e/ou ministeriais) são dados pelo Espírito Santo aos Cristãos, sem acepção de pessoas, sem restrição de ordem, famíliar, classe social, cultura, sexo, etc. O Senhor vocaciona homem, mulher, jovem e crianças, concede-lhes um ou mais dons e/ou ministérios, inserindo esta pessoa no corpo ( a Igreja) para servir ali “Porém, um só e o mesmo Espírito quem faz tudo isso. Ele dá um dom diferente para cada pessoa , conforme Ele quer”, 1 Co 12.11. Assim sendo, podemos afirmar que o Senhor chama e capacita os chamados, como disse Paulo: “não que sejamos capazes, por nós mesmos, de pensar e fazer alguma coisa, mas a nossa capacidade vem de Deus”, 2 Co 3.5.
a. Como e por que surgiram os ministros (pastores e outros)
b. Apóstolos (enviados)
c. Profetas (porta-voz de Deus)
d. Evangelistas (mensageiros de boas novas)
e. Pastores (homem que apascenta as ovelhas)
f. Mestre (homem que ensina
Ef 4.11 “Foi Ele quem “deu dons às pessoas”, Ele escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros pastores e mestres da Igreja”
Todos deveriam ser cheios do Espírito santo, e consequentemente ter o caráter cristão para que exercessem o ministério de pastoreio da congregação. O povo reconhecia a vocação que receberam e eram separados para o ministério. Era um surgimento e instituição quase informal, espontâneo e natural.

6. Critérios para esta separação e/ou instituição:
a. A Igreja local poderia Elegê-los, At 14.33; H 1.5;
b. Lançavam sortes sobre eles, At 1.26;
c. Perseguição e eleição, At 6.1-7;
d. Profecias, At 13.1-3, 1 Tm 1.8; 4.14.

7. Ênfases especiais – parece-nos que um dos pontos fortes na prática da instituição dos ministros da Igreja Cristã foi a sensibilidade às orientações do Espírito Santo através do exercício dos dons espirituais e ministeriais. Outra observação importante a se fazer é o aproveitamento e utilização dos leigos, que na sua simplicidade e espontaneidade podiam exercer o ministério. Aliado a estes fatores temos que admitir que as liturgias, as ministrações bíblicas, o discipulado através da vivência dos ministros em treinamento com os mais experientes, a criação e manutenção dos grupos pequenos também foram fatores importantes para o exercício dos Ministérios locais.

Pesquisa e organização: Maique Borges