O Reverendo Hernandes Dias Lopes nos traz uma análise detalhada de 1 Coríntios 11. 3-16:
O COMPORTAMENTO DAS MULHERES NO CULTO.

1. Contexto cultural do véu.



• Corinto ficava na Grécia e nesta província a manifestação religiosa mais popular eram as Religiões de Mistério. Nas religiões de mistério todos os membros eram do sexo masculino. As mulheres eram excluídas. As religiões refletiam o conceito que existia na Grécia, de que as mulheres eram inferiores aos homens. Achavam que as mulheres não precisavam de religião.

• A pregação de Paulo trouxe uma nova perspectiva para as mulheres. O evangelho veio para resgatar o valor, a dignidade e a igualdade da mulher (11:11; Gl 3:28). Mas as mulheres de Corinto saíram de um extremo para outro. Elas foram pisadas muitos anos. Agora queriam resgatar o tempo perdido e começaram dentro da igreja um movimento feminista. Queriam abolir o uso do véu, símbolo da submissão e da integridade da mulher. As mulheres cristãs de Corinto começaram um movimento de libertação da mulher. Elas exclamaram: “Abaixo o véu!” Elas saíam às ruas sem o véu. Até mesmo iam à igreja sem o véu. Você pode imagir a reação? Seria o mesmo que uma mulher cristã hoje ir à igreja com roupa sumária de banho. Por isso Paulo diz que aquela atitude era uma desonra para os maridos (11:5).

• Na Grécia as roupas dos homens e das mulheres eram muito parecidas. O que distinguia a mulher dos homens era o véu. Somente as prostitutas não usavam o véu. O véu era símbolo da dignidade e da modéstia feminina. Nenhuma mulher com auto-respeito saía de casa sem um véu. As profetisas pagãs do templo de Afrodite exerciam o seu ofício sem véu. 

• Paulo trata sobre quatro temas neste parágrafo:

1.1. Submissão – v. 3-6• O apóstolo Paulo mostra o padrão de relacionamento que Deus estabeleceu na comunidade cristã (11:3). A hierarquia divina é: Deus-Cristo-Homem-Mulher. A submissão não é uma questão de superioridade do homem ou inferioridade da mulher. A superiodade do marido em relação à esposa não é maior do qeu a de Deus em relação a Cristo. Mas assim como Cristo se submeteu ao Pai, a mulher deve se submeter ao marido como cabeça. 

• As mulheres exerciam na igreja um ministério de oração e profecia (11:5). Mas, elas deveriam usar o véu como símbolo de submissão (11:5-6). Essa prática era usada na sociedade e por uma questão de não procar escândalo deveria manter-se também na igreja.

• Nas terras orientais o véu é o poder, a honra e a dignidade da mulher. Com o véu na cabeça ela pode ir a qualquer lugar com segurança e profundo respeito. Com o véu ela está protegida. Ela é suprema na multidão. Mas sem o véu, ela é vulnerável e exposto ao vexame. A cobrir a cabeça a mulher assegura o seu próprio lugar de dignidade e autoridade. Ao mesmo tempo, ela reconhece a sua subordinação.

1.2. Glória – v. 7-10• O apóstolo Paulo fala que o homem é imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do homem. E Paulo cita dois argumentos: 1) O argumento da origem – O homem não foi feito da mulher, e sim a mulher, do homem (11:8). 2) O argumento do propósito – O homem não foi criado por causa da mulher, e sim a mulher, por causa do homem (11:9).

• Mais uma vez Paulo, então, mostra a necessidade das mulheres reconhecerem a sua submissão aos seus maridos no culto público, usando o veu, sobretudo, em face da presença dos anjos (11:10). Os anjos não apenas estão presentes nos nossos cultos, mas eles aprendem com a igreja (Ef 3:10) e cobrem o rosto quando adoram a Deus (Is 6:2).

• O véu é um símbolo da autoridade que a mulher recebeu e que não tinha antes de orar e profetizar em culto público. Ao cobrir a cabeça, a mulher assegura o seu próprio lugar de dignidade e autoridade. Ao mesmo tempo, ela reconhece a sua subordinação.

• Paulo está ensinando a igreja a celebrar o culto com ordem e decência.

1.3. Interdependência – v. 11-12• No Senhor não há superioridade do homem nem inferioridade da mulher. Ambos são um e ambos são interdependentes (11:11).

• Homem e mulher, têm sua origem um no outro (interpendência) e ambos devem a sua existência a Deus (11:12).

1.4. Natureza – v. 13-15• Deus fez o homem e a mulher diferentes; portanto, eles devem viver essa diferença tanto no seu aspecto físico, sexual, corte de cabelo, uso de vestuário, bem como de papéis no casamento. 

• Sem dúvida existem muitas convenções culturais quanto ao papel, ao trabalho e aos direitos do homem e da mulher que precisam ser aprimorados ou rejeitados. Como Criador, entretanto, o plano de Deus é que homens e mulheres tenham funções diferentes, embora complementares. 

• O homem deve ser plenamente masculino e a mulher plenamente feminina.

2. O princípio da igualdade – v. 11-12

• O véu em si é amoral. Em si ele é neutro, nem bom nem mau. Só que em Corinto o véu significava um padrão de relacionamento e ele estavam sendo violado.

• Espiritualmente homens e mulheres são iguais (11:11-12). As mulheres falavam e oravam na igreja (11:4). Elas recebiam dons espirituais, mas elas queriam com isto romper o princípio da submissão (11:3, 7-9).

3. Aplicação Prática



• Paulo diz que as mulheres deveriam usar o véu. Nenhum aspecto cultural do nosso vestuário deve ser motivo de escândalo, como estava acontecendo em Corinto. O véu era mais que um símbolo de submissão, era sobretudo, um símbolo de modéstia e integridade moral.

• De cultura para cultura a definição de modéstia muda. Se Paulo tivesse de ensinar este princípio a uma de nossas igrejas no Ocidente, ele não diria às mulheres que usassem véu na igreja. O véu não faz parte da nossa cultura. Mas o princípio que ele representa deve permanecer. As mulheres precisam ser submissas aos seus maridos e precisam se vestir com modéstia e pureza.