Eleição Incondicional em John Wycliffe (1320 - 1384 d.C)
Wycliffe entendia que a verdadeira igreja de Deus consiste dos predestinados para a vida eterna, não necessariamente os que reivindicam membresia na igreja visível (R. Tudor Jones, The Great Reformation Bryntirion, Wales: Bryntirion Press, 1985, 17). No tocante à eleição e predestinação, diz-se que ele “enfatizava a eleição como o conceito-chave teológico e via a igreja como a comunidade dos eleitos” (Dirk Jellema, “Predestination”, em New International Dictionary of the Christian Church, 798). Esta ênfase sobre a igreja como o corpo dos crentes eleitos aparece em seus escritos. Ele declara:
“Pois ninguém, exceto os predestinados e santificados, aqueles sem mancha ou ruga no tempo próprio, é membro da Igreja.” (Wycliffe, De Ecclesia, 4, 84/29-85/3, citado em Takashi Shogimen, “Wyclif’s Ecclesiology and Political Thought”, em A Companion to John Wyclif, 224). E agrega: “Embora a Igreja seja mencionada de diversas maneiras por toda a Escritura, creio que podemos concebê-la em seu sentido mais conhecido, isto é, a congregação de todos os predestinados.” (Wycliffe, De Ecclesia 2/25-28, citado em Shogimen, “Wyclif’s Ecclesiology and Political Thought”, in A Companion to John Wyclif, 216)
Os escolhidos por Deus constituem a verdadeira igreja de Deus. Wycliffe afirmava que a eleição não é merecida, nem baseada em alguma bondade prevista nos escolhidos. Ele escreve:
“A predestinação é o principal dom de Deus dado mui livremente, visto que ninguém pode merecer sua própria predestinação.” (Workman, The Dawn of the Reformation, Vol. 1, 176). Em outro lugar, ele escreve: “Deus faz de uma pessoa pecadora e sem caridade uma pessoa boa; e toda a bondade dela vem da bondade de Deus.” (Wycliffe, Writings of the Reverend and Learned John Wickliff, 190)
Certo escritor sublinha este aspecto da eleição: “Wycliffe insiste que os crentes devem crer que são predestinados porque devem esperar e crer com temor na graça de Deus.” (Shogimen, “Wyclif’s Ecclesiology and Political Thought”, em A Companion to John Wyclif, 224). Wycliffe insistia que a eleição é inteiramente de graça, não procedente de quaisquer boas obras. Wycliffe cria que a eleição é incondicional. H. B. Workman, biógrafo de Wycliffe, explica a posição do professor de Oxford:
“A Igreja, como o corpo místico dos predestinados, é a unidade que nada conhece das primazias e hierarquias papais e das ‘seitas’ dos monges, frades e sacerdotes; tampouco a salvação dos eleitos pode ser condicionada por missas, indulgências, penitência, ou outros inventos do sacerdotalismo.” (Workman, The Dawn of the Reformation, Vol. 1, 176)
Não há condições que os eleitos devam preencher a fim de serem escolhidos por Deus; aliás, são incapazes de preencher quaisquer condições.
(LAWSON, Steven J. Pilares da Graça - Longa Linha de Vultos Piedosos, volume II, página 461-462. Traduzido por Valter Graciano Martins. Publicado pela editora Fiel, SP - 2013)