• Idelette D’Bures – Esposa de João Calvino

Calvino, aos seus trinta anos de idade, cogitou casar-se e com a ajuda de seus amigos, iria escolher uma mulher que preenchesse alguns quesitos. Ele dizia que “desejava uma esposa que fosse gentil, pura, modesta, econômica, paciente, e para quem o cuidado do seu esposo fosse a questão principal”; a última questão era importante pois sua saúde era debilitada. E Idelette preencheu todos os quesitos de forma amorosa e espontânea. Calvino a chama de “a excelente companheira da sua vida, e sempre fiel assistente do seu ministério”.
Idelette era uma esposa extremamente dedicada ao seu marido. Ela o assistia ao lado de sua cama em sua doença e o encorajava em momentos de fraqueza e depressão. Quando notícias adversas chegavam, ela o fortalecia e o consolava. Quando rebeldes levantavam a voz contra os ministros de Genebra, Idelette prontamente se colocava de joelhos e orava. Como uma boa esposa de pastor, ela visitava enfermos e era vista sempre confortando os que passavam por sofrimentos.
Sua casa era um abrigo para refugiados. Ela cuidava deles com tamanha hospitalidade. Idelette tinha prazer na presença dos amigos de Calvino e o acompanhava em suas raras caminhadas para Coligny e Bellerive.
Mas ela passou por grandes sofrimentos que resultaram em doenças. Seus filhos foram arrancados dela, um por um, pela morte ainda na infância. Em julho de 1542, ela ficou muito doente e Calvino ficou muito preocupado. Ele escreveu a Viret: “Estou sofrendo de grandes ansiedades”. No mês seguinte, o seu bebê recém-nascido faleceu. Escrevendo mais uma vez a Viret, Calvino disse: “Saudai a todos os irmãos – saudai também a sua esposa, a quem a minha envia o seu agradecimento pela doce e santa consolação que dela recebeu. Ela gostaria de escrever isso com suas próprias mãos para confirmar, mas ela mal teve forças para ditar algumas poucas palavras. Ao levar o nosso filho, o Senhor tem dolorosamente nos golpeado, mas Ele é o nosso Pai, Ele sabe o que é mais adequado para os Seus filhos”. Dois anos depois, outros dos filhos que ela deu a luz, faleceu, uma menina ainda pequena. No ano seguinte, outro bebê faleceu. O sofrimento aumentou pelo fato de que os católicos atribuíram as mortes de seus filhos a ira de Deus por eles serem hereges. Idelette e seu marido suportaram a acusação com mansidão, e Calvino respondeu que embora não tivesse nenhum filho natural vivo, ele possuía muitos filhos espirituais ao redor do mundo cristão.
Em 1549, a saúde de Idelette ficou debilitada. Por três anos ela sofreu de uma febre que piorava a cada dia e por volta do dia primeiro de abril, o seu estado se tornou tão crítico que toda esperança se foi. Beza e outros amigos de Calvino, logo que souberam do fato, se apressaram para ir até lá e confortá-lo.
À medida que se aproximava da morte, uma coisa parecia atormentar Idelette – os seus filhos, frutos do seu primeiro casamento, com Storder. Calvino adivinhou que essa era a sua preocupação e prometeu que cuidaria deles como se fossem seus próprios filhos. Ao que ela replicou: “Eu já os entreguei nas mãos do Senhor, mas fico muito aliviada em ouvir o que já sabia, que você não abandonará aqueles a quem eu tenho confiado ao Senhor”. Depois dessa preocupação tirada da sua mente, calmamente esperou pela morte. Mesmo que seu sofrimento e dor fossem grandes, sua face revelava a doçura da paz que reinava em seu interior.
Seu antigo pastor, Borgonius, foi visitá-la e falou da simplicidade da sua fé e da sua elevada esperança, ela exclamou: “Ó gloriosa ressurreição! Ó Deus de Abraão e de todos os nossos pais: os fiéis de todas as gerações têm confiado em Ti, e nenhum deles foi jamais decepcionado. Eu, também, confio em Ti em todo o tempo”. E mais tarde, com seus amigos perto, mesmo fraca, disse: “Orem, meus amigos; orem por mim”.
Calvino se aproximou dela e falou da graça de Cristo e da força que era aperfeiçoada na fraqueza. Ele a relembrou (embora a sua voz falhasse ao fazer isso) da bendita eternidade de alegria na qual ela estava prestes a adentrar. E então ele orou com ela, confiando-a ao Senhor, a Quem ambos criam. Por volta das nove horas do dia 5 de abril de 1549, ela cessou de respirar. Expirou tão pacífica e calmamente que aqueles que a assistiam junto ao leito acharam que ela tinha apenas adormecido. 
Calvino, escrevendo acerca dela para Farel e Viret, diz: “Eu perdi aquela que nunca teria me abandonado, fosse em exílio, ou na miséria, ou na morte. Ela foi uma preciosa ajuda para mim, e nunca se ocupava demais consigo mesma. A melhor das minhas companhias foi tirada de mim”. 
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(Referência: livro “Grandes Mulheres da Reforma”, de James I. Good, 2009)