A Mordomia das Obrasde Misericórdia

Texto Áureo
“Porque o juízo será sem misericórdiasobre aquele que não fez misericórdia;e a misericórdia triunfa sobre o juízo.”
(Tg 2.13)
Verdade Prática
O cristão tem o privilégio de exercera misericórdia junto aos necessitadoscomo expressão do amor de Deus.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Sl 103.8
Deus é misericordioso
Terça – Tg 4.17
Devemos fazer o bem
Quarta – Tt 3.8
Devemos nos aplicar às boas obras
Quinta – Jn 4.11
Deus teve misericórdia dos animais
Sexta – Ez 33.11
Deus tem misericórdia do ímpio
Sábado – Mt 5.44
Jesus nos ordena a amar o inimigo
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Atos 4.32-35; Lucas 10.30,36,37
Atos 4
32 - E era um o coração e a alma damultidão dos que criam, e ninguém diziaque coisa alguma do que possuía erasua própria, mas todas as coisas lheseram comuns.
33 - E os apóstolos davam, com grandepoder, testemunho da ressurreição doSenhor Jesus, e em todos eles haviaabundante graça.
34 - Não havia, pois, entre eles necessitadoalgum; porque todos os que possuíamherdades ou casas, vendendo-as,traziam o preço do que fora vendido eo depositavam aos pés dos apóstolos.
35 - E repartia-se a cada um, segundoa necessidade que cada um tinha.
Lucas 10
30 - E, respondendo Jesus, disse: Desciaum homem de Jerusalém para Jericó,e caiu nas mãos dos salteadores, osquais o despojaram e, espancando-o,se retiraram, deixando-o meio morto.
36 - Qual, pois, destes três te pareceque foi o próximo daquele que caiunas mãos dos salteadores?
37 - E ele disse: O que usou de misericórdiapara com ele. Disse, pois, Jesus:Vai e faze da mesma maneira.

HINOS SUGERIDOS: 359, 456, 476 da Harpa Cristã




OBJETIVO GERAL
Mostrar que o cristão tem o privilégio de executar obras de misericórdias.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cadatópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Conceituar a palavra misericórdia;
Discorrer sobre a mordomia da misericórdia cristã;
Pontuar os cuidados na prática das boas obras.
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Deus usou de misericórdia conosco, por isso, devemos usar de misericórdiacom o próximo. Uma das características marcantes da Igreja Primitiva era oseu altruísmo. Fazer obras de misericórdias era um mandamento levado asério pela igreja. O livro de Atos mostra isso ao narrar a ressurreição de umamulher chamada Dorcas, que era conhecida pelas suas “boas obras e esmolasque fazia” (9.36). As obras de misericórdia, ou obras de caridade, nos mostraa disponibilidade de desprendermo-nos do egoísmo e servir o próximo deliberadamente.Essa é a vontade de Deus!

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos que Deusrequer de seus filhos obras de misericórdiascomo o fruto do amor cristão.Os servos de Deus, portanto, devemexpressar a virtude da misericórdiadivina. Esse sentimento é o que devedominar o coração dos cristãos: “Misericordiosoe piedoso é o Senhor;longânimo e grande em benignidade”(Sl 103.8).

I – SIGNIFICADO DE MISERICÓRDIA

1. Definição.
A palavra“misericórdia” vem do latim(misericordia) e significa“compaixão suscitada pelamiséria alheia”; “indulgência,graça, perdão”. No AntigoTestamento, o termoestá presente em textos como:“Certamente que a bondade e amisericórdia me seguirão todos os diasda minha vida; e habitarei na Casa doSenhor por longos dias” (Sl 23.6).

2. Misericordioso.
A palavra “misericordioso”,no grego, tem o sentido de“entranhas de misericórdia ou de bondade”.A expressão indica o sentimentoque vem do íntimo, “das entranhas”, do“coração”. Ela mostra que servimos a umDeus de misericórdia, longanimidadee benignidade (Sl 103.8). Essas sãoqualidades morais de Deus. Quem seidentifica com Ele, por meio do EspíritoSanto, deve manifestar tais qualidadesmorais (Gl 5.22).

SÍNTESE DO TÓPICO I
Quem exerce a misericórdia revelaque serve a um Deus misericordioso,longânimo e benigno.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
Ao final da exposiçãode toda a lição, proponha aosalunos uma atividade práticade obras de misericórdia. As possibilidadessão inúmeras: (1) arrecadaralimentos para quem precisa; (2) doarsangue; (3) arrecadar roupas paraquem precisa; (4) visitar os enfermosno hospital e nas casas; (5) identificara necessidade concreta de um irmãoou uma irmã, e mobilizar uma ação afim de resolver tal necessidade. Enfim,essas são algumas sugestões, mas as necessidades e as possibilidades defazer a diferença na vida das pessoassão de perder de vista. O importante,que após a aula, seus alunos sintam-semobilizados a agir. Lembre que naperspectiva cristã, o amor não deve serdemonstrado somente por palavras,mas principalmente, pelas obras.

II – A MORDOMIA DA MISERICÓRDIACRISTÃ
A misericórdia é como o amor, poisela só tem valor se for praticada. Asobras de misericórdia estão inseridas nocontexto das “boas obras” inerentes àvida de todos os salvos em Cristo Jesus.

1. Obras de misericórdia na prática.
Na parábola do Bom Samaritano (Lc10.25-37), Jesus respondeu a um “umdoutor da lei” acerca da vida eterna.Ele diz que, diante de um homem assaltado,caído à beira do caminho, trêspersonagens se destacam: primeiro, umsacerdote, que, vendo o homem caído,“passou de largo” (Lc 10.31); depois, umlevita, que ignorou o enfermo; por fim,um samaritano, que cuidou do homem,e o levou a uma hospedaria.Veja a pergunta de Jesus ao doutorda Lei: “Qual, pois, destes três te pareceque foi o próximo daquele que caiunas mãos dos salteadores?”. O doutorda lei respondeu: “O que usou de misericórdiapara com ele. Disse, pois,Jesus: Vai e faze da mesma maneira” (Lc10.36,37). Nosso Senhor mostrou quea misericórdia não deve ser apenas um “sentimento”, mas uma ação diretiva:“Vai e faze da mesma maneira”.

2. Somos criados para as boasobras.
O apóstolo Paulo ensinou aoscrentes de Éfeso que a salvação nãovem pelas obras, “porque pela graçasois salvos, por meio da fé; e isso nãovem de vós; é dom de Deus. [...] Porquesomos [...] criados em Cristo Jesus paraas boas obras, as quais Deus preparoupara que andássemos nelas” (Ef 2.8,10).Assim, devemos praticar as boas obrasporque somos salvos, e fomos alcançadospela graça de Deus: “[...] os quecreem em Deus procurem aplicar-seàs boas obras; estas coisas são boase proveitosas aos homens” (Tt 3.8).Dentre as boas obras, podemos listaralgumas obras de misericórdia:

2.1. Na área das necessidades humanas.
Quem faz obras de misericórdiaem prol dos carentes, necessitados evulneráveis sociais está fazendo aopróprio Cristo (Mt 25.35,36), pois assimas Escrituras afirmam: “E, respondendoo Rei, lhes dirá: Em verdade vos digoque, quando o fizestes a um destes meuspequeninos irmãos, a mim o fizestes”(Mt 25.40).

2.2. Na área das necessidades espirituais.
As necessidades espirituaisdo homem são tão urgentes, que Deusenviou o seu Filho para salvá-lo de suamiséria (Jo 3.16). Esse ato nos lembraquando o profeta Jonas entristeceu-sepor causa da compaixão de Deus pelopovo de Nínive. Eis, porém, o que oSenhor lhe respondeu: “[...] e não heide eu ter compaixão da grande cidadede Nínive, em que estão mais de centoe vinte mil homens, que não sabemdiscernir entre a sua mão direita e asua mão esquerda, e também muitosanimais?” (Jn 4.11). Isso prova, conformeas palavras de Tiago, que “a misericórdiatriunfa no juízo” (Tg 2.13).

2.3. Na área da evangelização edas missões.
As Escrituras Sagradasmostram que a obra de evangelizaçãoe missões é central no Evangelho:“Não dizeis vós que ainda há quatromeses até que venha a ceifa? Eis queeu vos digo: levantai os vossos olhose vede as terras, que já estão brancaspara a ceifa” (Jo 4.35; cf Mc 6.34). Émuito clara a necessidade espiritual domundo. Infelizmente, o investimentona obra missionária ainda é muito pequeno.De um modo geral, gastamosmais com outros empreendimentos eobjetos pessoais do que investimosem missões e na evangelização dasalmas perdidas.

2.4. A falta de misericórdia pelospecadores.
Há uma negligência flagrante,por parte de muitas igrejas, napregação do Evangelho. Isso é faltade misericórdia. A Bíblia mostra queDeus “amou o mundo”, e não um gruposeleto e privilegiado. Ele quer salvar atodos em Jesus Cristo. O nosso Deus éamor, longânimo e misericordioso. Elenão tem “prazer na morte do ímpio”(Ez 33.11). A ordem do Senhor Jesusé muito clara: “Ide por todo o mundo,pregai o evangelho a toda criatura” (Mc16.15; cf. Pv 24.11).

SÍNTESE DO TÓPICO II
As obras de misericórdia podemser executadas nas esferas das necessidadeshumanas, espirituais,evangelização e missões.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“[...] Em Efésios 2.10, Paulo serefere às boas obras como indispensáveisà salvação – ‘não como sua razão ou seus meios, no entanto, mascomo sua [necessária] consequênciae evidência’. Tito 2.14 apresenta omelhor comentário: Cristo ‘se deua si mesmo por nós, para nos remirde toda iniquidade e purificar para sium povo seu especial, zeloso de boasobras’. Assim como em Cristo fomospredestinados à adoção (1.4), tambémem Cristo fomos predestinados a fazerboas obras.Em Efésios 2.1-10, o texto terminacom a frase ‘para que andássemos nelas’.Esse parágrafo começa com pessoas‘andando’ (peripateo) na morte dastransgressões e do pecado (2.1-2) eestas terminam ‘andando’ (peripateo)nas boas obras que, antecipadamente,Deus planejou para todos os que foramredimidos em Cristo. Assim o fortecontraste entre uma vida sem Cristoe uma vida em Cristo está completo.É um contraste entre duas formas devida (no pecado ou pela graça), e entredois senhores (Satanás ou Deus)”

(Comentário Bíblico Pentecostal NovoTestamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003,pp.1217-218).

III – CUIDADOS NA PRÁTICA DASBOAS OBRAS

1. As boas obras devem glorificara Deus.
No Sermão do Monte, Jesusdisse: “Assim resplandeça a vossa luzdiante dos homens, para que vejam asvossas boas obras e glorifiquem o vossoPai, que está nos céus” (Mt 5.16 – grifomeu). Por isso, as obras de misericórdiadevem ser feitas com humildade e sembuscar a glória para quem as pratica.Assim, o Senhor ensinou como devemosajudar o necessitado: “Quando,pois, deres esmola, não faças tocartrombeta diante de ti, como fazem oshipócritas nas sinagogas e nas ruas, paraserem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam oseu galardão” (Mt 6.2).

2. As obras de misericórdia sãoobras de amor.
Elas são parte da práticado amor cristão, que, segundo Jesus,deve ser estendido até mesmo ao inimigo(Mt 5.44). Nesse sentido, o apóstoloexpressa esse ensino: “Portanto,se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe decomer; se tiver sede, dá-lhe de beber;porque, fazendo isto, amontoarásbrasas de fogo sobre a sua cabeça”(Rm 12.20). Somente com a graça deDeus, e na força do Espírito Santo, ocristão pode cumprir o mandamentode amar o inimigo.

3. Obras de quem é salvo.
Tiagodiz que as obras dos salvos devem sera expressão da fé, a qual, sem elas, denada aproveita. Ele exemplifica esseensino referindo-se ao caso de umirmão ou irmã, carentes, sendo despedidosde mãos vazias. Neste caso,nenhum proveito se materializa. Econclui: “Assim também a fé, se nãotiver as obras, é morta em si mesma”(Tg 2.17; cf. 2.14-20; Mt 5.16). SegundoTiago, as boas obras é o testemunho dafé perante os homens.

SÍNTESE DO TÓPICO III
As boas obras devem glorificar aDeus, expressar o seu amor e caracterizaro salvo.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“As Obras São a Evidência da Fé[Tiago] (2.14-19). Nesse ponto, Tiagoapresenta seu segundo exemplo danecessidade de existir uma consistênciaentre palavras e obras e, nesseprocesso, introduz o argumento da inseparabilidade entre a ‘fé’ e as‘obras’ que, necessariamente, devese originar dessa consistência. Eleabre essa seção com duas perguntasretóricas (v.14): ‘Meus irmãos, queaproveita [ou, qual é o benefício] sealguém disser que tem fé e não tiveras obras?’ Fica claro que Tiago temem vista dois ‘benefícios’ especiaisque deveriam se originar da ‘fé’. Oprimeiro é apresentado na sua segundapergunta retórica: ‘Porventura,a fé pode salvá-lo? A fé deveria sercapaz de proporcionar o benefícioda salvação àquele que a possui; senão o fizer, então essa fé é, de certomodo, defeituosa (mas não uma falsafé). Porém, a fé deveria também teruma segunda finalidade: beneficiaros semelhantes mostrando a bondadede Deus para com eles (vv.15,16).Essa dupla preocupação por tudode ‘bom’ que a fé deveria proporcionarrepresenta uma importante lembrançapara a nossa cultura individualista. Fénão é apenas salvar a alma individualdo julgamento eterno, mas tambémconstruir comunidades a fim de mostraro amor de Deus não só no meiodos próprios crentes, mas também nomundo em que vivem”

(ComentárioBíblico Pentecostal Novo Testamento.Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.1672-73).

CONCLUSÃO
Não somos salvos pelas boas obras,mas as praticamos porque somos salvos(Mt 5.16). Precisamos testemunharnossa fé ao mundo por meio das boasobras. Logo, devemos realizar as obrasde misericórdias no âmbito materiale espiritual. O nosso Deus amou o serhumano por inteiro. Este tem necessidadeno corpo e na alma. As obras demisericórdias são o testemunho bíblicoda nossa fé.

PARA REFLETIR
A respeito de “A Mordomia das Obras deMisericórdia”, responda:

• Que significa a palavra “misericórdia”?
A palavra “misericórdia” significa “compaixão suscitada pela miséria alheia”;“indulgência, graça, perdão”.
• Acerca das obras de misericórdia, além de não ser apenas um “sentimento”,o que ela deve ser?
Uma ação diretiva: “Vai e faze da mesma maneira”.
• Cite pelos menos duas áreas em que devemos praticar as obras demisericórdia.
Na área das necessidades humanas e das necessidades espirituais.
• Como as obras de misericórdia devem ser feitas?
As obras de misericórdia devem ser feitas com humildade e sem buscar aglória para quem as pratica.
• Segundo Tiago, o que são as boas obras?
Segundo Tiago, as boas obras é o testemunho da fé perante os homens.
CONSULTE
Revista Ensinador Cristão – CPAD, nº 79, p.41. Você encontrará mais subsídiospara enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

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Lições do 3º trimestre de 2019 – Elinaldo Renovato

Elinaldo Renovato


Avatar O comentarista do trimestre é o pastor Elinaldo Renovato de Lima, líder da Assembleia de Deus em Parnamirim (RN), escritor, conferencista na área de família, professor universitário, bacharel em Ciências Econômicas, mestre em Administração, especialista em Economia Internacional e Administração Universitária, bacharel em Teologia e mestre em Ciências da Religião; e também 1º vice-presidente da Convenção Estadual de Ministros da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Rio Grande do Norte (CEMADERN).