Texto Áureo
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espirito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Ts 5.23)

Verdade Prática
Nossa tríplice natureza – física, mental e espiritual – deve ser plenamente consagrada a Deus, para que o mundo veja, em nosso ser, a imagem e a semelhança do Criador.

Leitura diária
Segunda – Gn 2.7: O corpo humano veio da terra
Terça – Jó 27.3: A alma humana veio de Deus
Quarta – Pv 20.27 (ARA): O espírito humano veio de Deus
Quinta – Hb 4.12: Espírito e alma são inseparáveis
Sexta – Gn 35.18: A morte é a separação entre corpo e alma
Sábado -1 Co 15.49-57: A glorificação da natureza humana

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 1.26-28; 2.7
Gênesis 1
26 – E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.
27 – E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
28 – E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
Gênesis 2
7 – E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.


HINOS SUGERIDOS: 46,101, 238 da Harpa Cristã




OBJETIVO GERAL
Expor que o corpo, a alma e o espírito constituem a natureza do ser humano.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I – Mostrar a complexidade do ser humano;
II – Elencar as características do corpo humano;
III – Destacar a alma como o nosso elo com o mundo exterior;
IV – Relacionar o espirito com o nosso contato com Deus.

• INTERAGINDO COM O PROFESSOR
O ser humano é um ser complexo. Essa complexidade passa pela a materialidade e imaterialidade da pessoa que se revelam na constituição do corpo, da alma e do espirito.
Aproveite esta aula para aprofundar com os alunos a respeito dos exercícios da piedade cristã. Mostre-os, que da mesma forma que é necessário ao corpo o exercício cotidiano, a alma e o espirito precisam cultivar o exercício diário da comunhão com Deus por meio da oração, da leitura da Palavra e da meditação nas Escrituras. É verdade que devemos cuidar da saúde do corpo, mas igualmente, da saúde da alma e do espirito.
Nossos pensamentos devem ser levados cativos a Cristo.

PONTO CENTRAL
O ser humano é constituído de corpo, alma e espirito.

INTRODUÇÃO
Na aula de hoje, estudaremos as partes que constituem a natureza humana. Veremos que o nosso ser, em virtude das partes que o compõem, é de tal forma maravilhoso, que chega a ser inexplicável (Sl 139.14). Além da substância física (o corpo), possuímos também uma substância imaterial (o espírito e a alma). Habilitou-nos Deus, assim, a relacionar tanto com o mundo físico quanto com o mundo espiritual.
O objetivo desta lição não é apenas explorar a natureza humana, mas levar você a consagrar inteiramente o seu corpo, a sua alma e o seu espírito ao Criador e Mantenedor de todas as coisas.

I – A COMPLEXIDADE DO SER HUMANO
A natureza do ser humano é distinta tanto em relação a Deus quanto em relação aos anjos. Vejamos por quê.
1. A natureza de Deus.
Ao contrário do homem, Deus é um ser simples; possui uma única natureza. Por essa razão, Ele foi definido, pelo próprio Filho, como sendo espírito (Jo 4.24). Isso significa que, para existir, o Senhor não necessita, como nós, de uma natureza composta de corpo, alma e espírito. O Todo-Poderoso define a si mesmo como aquele que simplesmente é: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14). Ele existe por si mesmo (Jo 5.26).
2. A natureza dos anjos.
Seres criados e finitos, os anjos possuem igualmente apenas uma natureza. Eles são descritos como espíritos (Hb 1.14). E, diferentemente de nós, não se reproduzem através do sexo (Lc 20.34-36). O corpo angélico é espiritual (1 Co 15.44; Hb 1.14).
3. A natureza dos homens.
Já os seres humanos possuem uma natureza, que pode ser descrita como dupla: uma física (o corpo) e uma espiritual (a alma e o espírito – 1 Ts 5.23). Para vivermos neste mundo, necessitamos de nossa natureza completa. Se uma apartar-se da outra, morremos (1 Rs 17.21,22).

SÍNTESE DO TÓPICO I
A natureza do ser humano é distinta tanto em relação a Deus quanto em relação aos anjos.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO
É importante que você aproveite a introdução da aula para mostrar a classe que o ser humano é um ser integral, ou seja, global. Use este trecho para aprofundar essa reflexão: “Considerar o ser humano uma unidade condicional resulta em várias implicações. Primeira: o que afeta um elemento do ser humano afeta a pessoa inteira. A Bíblia vê a pessoa como um ser global, ‘e o que toca numa parte afeta a totalidade’. Em outras palavras, uma pessoa portadora de doença crônica (no corpo) por certo terá afetadas as emoções e a mente e até o canal da comunhão normal com Deus. Erickson observa: ‘O cristão que deseja ter saúde espiritual dedicará atenção a questões tais como a dieta, o repouso e o exercício’. De modo semelhante, a pessoa que sofre certas pressões mentais poderá manifestar sintomas físicos ou até mesmo doenças físicas” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.252).

II – AS CARACTERÍSTICAS DO CORPO HUMANO
O corpo humano tem as seguintes características: materialidade, visibilidade e mortalidade.
1. Materialidade.
Ao contrário dos anjos – seres espirituais -, criados de uma só vez pela palavra divina (Sl 33.6), o homem – ser material e físico – veio à vida a partir de uma matéria já existente: a terra. Deus, pois, formou Adão, o primeiro genitor da humanidade, do pó de nosso planeta (Gn 2.7). O mesmo pode-se dizer de Eva, que, provinda do homem, possui a mesma substância deste (Gn 2.21,22). Desde a sua criação, o ser humano vem reproduzindo-se e enchendo a terra (Gn 1.28; At 17.26).
2. Visibilidade e tangibilidade.
Envolto num corpo material, o ser humano pode ser visto e tocado. Aliás, a visibilidade e a tangibilidade (aquilo que se pode tocar) foram as provas que o Senhor Jesus apresentou a Tomé como evidências de sua ressurreição física (Jo 20.27). O discípulo incrédulo só veio a convencer-se da verdade depois de ter visto e tocado as feridas do Cordeiro de Deus (Jo 20.29).
3. Mortalidade.
Apesar de material, o corpo humano foi criado com a possibilidade de manter-se vivo para sempre. Se não fosse o pecado, Adão e Eva estariam, hoje, entre nós (Gn 2.16,17). Mas, por causa de sua desobediência, morreram; o salário do pecado é a morte (Gn 5.5; Rm 6.23). O apóstolo Paulo ensina, porém, que, quando do arrebatamento da Igreja, o que é mortal revestir-se-á da imortalidade (1 Co 15.53,54). O homem, portanto, foi criado imortal. Ou seja: com a possibilidade de viver para sempre, caso não houvesse pecado. Mas, quando recebemos a Jesus, como nosso Salvador, passamos a desfrutar, desde já, a vida eterna (Jo 3.15). Ele é Jesus Cristo, o Filho de Deus! Crer nisso depende a nossa eternidade.

SÍNTESE DO TÓPICO II
O corpo humano tem as seguintes caracteristicas: materialidade, visibilidade e mortalidade.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Os escritores sagrados tinham uma ampla variedade de termos relativos ao ’corpo’. Para os hebreus, ’carne’ (basar, she’er) e ’alma’ (nepresh) podiam significar corpo (Lv 21.11; Nm 5.2, onde o significado parece ser ’cadáver’). ’Força’ (me’od) dizia respeito ao poder físico do corpo (Dt 6.5). Os escritores do Novo Testamento mencionam a ’carne’ (sarx, que às vezes significava o corpo físico), a ’força’ (ischus) do corpo (Mc 12.30) ou, mais frequentemente, o ’corpo’ (sõmo), que ocorre 137 vezes” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de janeiro: CPAD, 1996, p.246).

Ill – ALMA, O NOSSO ELO COM O MUNDO EXTERIOR
Só viremos a entender claramente a nossa natureza espiritual, se aceitarmos esta proposição: espírito e alma são inseparáveis. A partir daí, veremos a alma como a janela, através da qual acessamos o mundo exterior. Nesse sentido, a morte física é a separação entre a alma e o corpo.
 1. Alma e espírito são inseparáveis.
Em nosso ser, alma e espírito acham-se tão unidos, que somente a Palavra de Deus pode alcançar-lhes a junção (Hb 4.12). Conforme veremos, a alma e o espírito formam a nossa substância imaterial. E cada um deles tem uma função específica em nosso ser.
2. A alma é a janela para o mundo exterior.
Através da alma, o ser humano se expressa e tem acesso ao mundo que o cerca. Para que isso seja possível, a alma serve-se dos órgãos sensitivos (Lc 11.34). E, por intermédio destes, o homem carnal deixa-se atrair pelas concupiscências da carne e dos olhos (Tg 1.13,14; 1 Jo 2.16). Por isso, o Senhor decreta: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). O pecado começa na alma e contamina o espírito e o corpo. Por isso o apóstolo recomenda a completa santificação de nosso ser (1Ts 5.23).
3. A separação da alma e do corpo gera a morte.
A morte ocorre quando a alma separa-se do corpo. É o que nos mostra a narrativa da morte de Raquel, a esposa amada de Jacó (Gn 35.18). Saindo-lhe a alma, ela morreu. Quando isso ocorre, a alma dos justos é recolhida ao lugar de descanso, ao passo que a dos ímpios é aprisionada no inferno (Lc 16.20-31). Observe, pois, que a alma (juntamente com o espírito) permanece consciente até a ressurreição do corpo. Enfatizamos que a alma e o espírito são inseparáveis; são um único elemento de nossa imaterialidade.

SÍNTESE DO TÓPICO II
A alma é a janela para o mundo exterior. Sua separação do corpo gera a morte.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Quanto a alma, o termo primário dos hebreus era nepresh, que ocorre 755 vezes no Antigo Testamento. Mais frequentemente, esse termo abrangente significa meramente ’vida’, ’próprio-eu’, ’pessoa’ (Is 2.13; 1 Rs 19.3; 3r 52.28). Quando usado nesse sentido amplo, nepresh descreve o que somos: almas, pessoas (neste sentido, não ’possuímos’ alma ou personalidade). Às vezes nepresh podia significar a ’vontade’ ou ‘desejo’ de uma pessoa (Gn 23.8; Dt 21.14). Ocasionalmente, porém, destaca aquele elemento nos seres humanos que possui vários apetites: a fome física (Dt 12.20), o impulso sexual (Jr 2.24) e o desejo moral (Is 26.8,9), no Antigo Testamento” (HORTON, Stanley (Ed). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.246).

IV- O ESPÍRITO E O NOSSO CONTATO COM DEUS
O espírito humano, por ser o elo entre o corpo e Deus, é a sede de nossa comunhão com o Pai Celeste. Na Bíblia, espírito e alma são tomados, às vezes, como sinônimos.
1. O que é o espírito.
Em termos simples, o espírito compõe, juntamente com a alma, a parte imaterial do ser humano. Embora distintos um do outro, não podem separar-se; somente a Palavra de Deus, como já vimos, é capaz de alcançar a divisão entre ambos (Hb 4.12). Em virtude de suas faculdades, o espírito humano atua como a sede de nossas afeições espirituais (Sl 77.3,6).
2. O elo entre o nosso corpo e Deus.
É por meio de nosso espírito que nos comunicamos com Deus (Ap 1.10). Foi em seu espírito, portanto, que João recebeu a revelação do Apocalipse. Paulo, no serviço missionário, estava, no espírito, em comunhão com Deus e com os irmãos (1 Co 5.4).
3. A sede de nossa comunhão com Deus.
Através de nosso espírito, temos experiências e encontros com Deus (Sl 143.4,7). Eis a experiência do profeta (Is 26.9). Portanto, a verdadeira alegria divina manifesta-se, em primeiro lugar, em nosso espírito, pois é neste que todo o nosso ser consagra-se ao serviço divino (Sl 51.12; Rm 1.9). 0 nosso espírito tanto fala em mistérios quanto ora (1 Co 14.2,14,16).
O espírito também pode abrigar o orgulho e a soberba (Pv 16.18). Por isso,  quando o ímpio falece, o seu espírito (e também a alma, porquanto ambos são inseparáveis) é aprisionado até o julgamento final (1 Pe 3.19).

SÍNTESE DO TÓPICO IV
O espírito é o elo entre o nosso corpo e Deus, é a sede da nossa comunhão com o Altíssimo.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“O termo ruach é ‘espírito’, encontrado 387 vezes no Antigo Testamento. Embora o significado básico seja ‘ar em movimento’, ‘vento’, ‘sopro’, ‘hábito’, ruach também denota ‘a totalidade da consciência imaterial do homem’ (Pv 16.32; Is 26.9). Em Daniel 7.15, ruach está contido no seu invólucro, o ‘corpo’. J. B. Payne indica que tanto nepresh quanto ruach podem partir do corpo na ocasião da morte e, mesmo assim, existir num estado separado dele (Gn 35.18; Sl 86.13)” (HORTON, Stanley (Ed). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.247).

CONCLUSÃO
O homem é um ser tanto físico quanto espiritual. Por essa razão, Deus requer nossa completa e uniforme santificação (1 Ts 5.23). Temos de ser santos no corpo, na alma e no espírito.
Jesus morreu e ressuscitou, a fim de que sejamos santos em todo o nosso ser. E, quando do arrebatamento da Igreja, apesar de nossas limitações, o Senhor nos revestirá da imortalidade e da incorruptibilidade.
Busquemos a santificação. Todo o nosso ser pertence a Deus. Somos o templo do Espírito Santo. Aleluia!

PARA REFLETIR
A respeito de “A Natureza do Ser Humano”, responda:
• Fale a respeito da natureza de Deus.
Deus é um ser simples; possui uma única natureza. Por essa razão, Ele foi definido, pelo próprio Filho, como sendo espirito (Jo 4.24).
• Por que o homem é um ser composto?
Os seres humanos possuem uma natureza, que pode ser descrita como dupla: uma física (o corpo) e uma espiritual (a alma e o espírito).
• A alma e o espirito podem ser separados?
Discorra sobre o assunto. Em nosso ser, alma e espírito acham-se tão unidos, que somente a Palavra de Deus pode alcançar-lhes a junção (Hb 4.12). Ambos têm de ser vistos juntos; são inseparáveis.
• Onde fica a sede de nossas afeições a Deus?
O espírito humano, por ser o elo entre o corpo e Deus, é a sede de nossa comunhão com o Pai Celeste.
• Como João foi arrebatado para obter a revelação do Apocalipse?
Foi em seu espirito, portanto, que João recebeu a revelação do Apocalipse.


FONTE:CPAD


Lições do 1º trimestre de 2020 – Claudionor de Andrade

Claudionor de Andrade


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O comentarista do trimestre é o pastor Claudionor de Andrade. Ele é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.